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Na alta do dólar, fertilizantes com preços de "black friday" são exceção nos custos de produção

adubo 2b5afca9302893720a43a26dd33c0f21Oferta maior de fertilizantes após consumo menor nos EUA em função dos problemas enfrentados na safra 2019/20 faz preços apresentarem baixas de 10% a 14% em relação ao mesmo período de 2018  -  A alta do dólar deve se manter durante, pelo menos, os primeiros meses de 2020, o que deve elevar os custos de produção, mas um ponto fora da curva fez os preços dos fertilizantes caírem, o que pode ser uma boa oportunidade para o produtor. De acordo com o economista chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, apesar do câmbio alto, fertilizantes químicos despencaram de 10% a 14% em outubro deste ano, em comparação ao período do ano passado.

A razão, segundo o especialisata, é que a enchente que prejudicou as lavouras de soja e milho dos Estados Unidos, fez com que a demanda por fertilizantes neste país caísse. Sendo assim, as empresas que vendem o produto para o mundo e aquelas que extraem, estão tendo que baixar os preços, em dólar, para esvaziar o estoque.

Custos de produção - Entrevista com Antônio da Luz - Economista - FARSUL from Notícias Agrícolas on Vimeo.

-- "Estamos vendo que essa queda dos custos de produção que vem sendo observada aqui não está vinculada às taxas de câmbio, mas sim a essa questão da oferta do excedente. Se nós temos perspectiva de taxa de câmbio se mantendo alta, o que vai impactar lá na frente os custos de produção, essa questão pontual dos fertilizantes é uma oportunidade a ser aproveitada", explica.

A dica do economista é que aquele produtor rural que tem caixa e condições para armazenar os fertilizantes químicos de forma correta, devem aproveitar para comprar neste momento, tanto para usar agora quanto como preparação para a safra 20/21.

O bom momento nos preços destes produtos deve passar em fevereiro do ano que vem, quando os produtores americanos devem começar a comprar os insumos para suas lavouras. A expectativa é que os preços voltem a subir, já que a perspectiva é de uma safra normal, ou seja, com a demanda por fertilizantes voltando a aumentar e as empresas reduzindo o ritmo de produção do insumo, a oferta ficará menor.

DÓLAR DEVE PERMANECER ALTO

Segundo explica o economista, o que está havendo é uma valorização do dólar, e não uma depreciação do real. A moeda americana está subindo frente às principais moedas de outros países, representando um movimento global.

Outra questão mundial apontada por ele é a queda de juros, o que faz com que os rendimentos caiam e os investidores passem a olhar para o risco. sendo assim, a movimentação é direcionada para a compra de dólar para, em seguida, aquisição de títulos. A tendência é que as taxas de juros continuem caindo ou se mantenham, sendo esperado que o dólar se mantenha alto por um bom tempo.

-- "Agora a gente tem que ver o quanto essa queda nos custos de produção deve ser aproveitada, porque nós sabemos que a taxa de câmbio para um país agro prejudica mais do que ajuda".
FONTE: Notícias Agrícolas(Carla Mendes e Letícia Guimarães)