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Cotações da soja registram melhoria

As cotações da soja em Chicago, após novo recuo durante esta semana, registraram uma pequena melhoria no final da mesma, com o fechamento desta quinta-feira (23) ficando em US$ 8,39/bushel para o primeiro mês cotado, contra US$ 8,36 uma semana antes.

O baixo volume de soja exportado pelos EUA e a forte queda nos preços internacionais do petróleo, além da continuidade dos efeitos negativos da pandemia da Covid-19 sobre a economia global, pesaram sobre as cotações da soja nesta semana.

No que diz respeito às exportações estadunidenses, as vendas líquidas de soja na semana encerrada em 09/04, para o ano comercial 2019/20, que se encerra em 31/08 próximo, atingiram apenas 244.700 toneladas. Este volume é 68% abaixo da média das quatro semanas anteriores. Para o novo ano 2020/21 o volume somou 60.000 toneladas. Com isso, a soma dos dois anos ficou abaixo do esperado pelo mercado.

Por sua vez, as inspeções de exportação estadunidenses somaram 539.824 toneladas na semana encerrada em 16 de abril. No acumulado do ano comercial atual o volume atinge a 32,9 milhões de toneladas, contra 31 milhões em igual momento do ano anterior.

Soma-se a este baixo desempenho a possível queda no consumo de farelo de soja devido ao fechamento de plantas frigoríficas estadunidenses em função do coronavírus. Ao mesmo tempo, o recuo no consumo de etanol, também puxado pela pandemia, coloca o mercado em alerta para a possibilidade de os produtores estadunidenses reduzirem a área a ser semeada com milho, em favor da soja. E mais soja semeada significa mais pressão baixista sobre os preços futuros caso a safra venha a ser normal nos EUA.

Quanto ao petróleo, as cotações do tipo WTI, negociado em Nova York, nos EUA, chegaram a ser negativas pela primeira vez na história durante esta semana. A fraca demanda, também devido a paralisação da economia global em função do coronavírus, chegou a levar quem possuía contratos de petróleo a pagar para que os mesmos fossem adquiridos.

No mercado físico, a falta de unidades de estocagem leva as empresas a pagarem para poderem vender o produto. Algo nunca visto neste mercado mundial. Uma queda brutal do petróleo acaba puxando também as demais commodities, dentre elas a soja, embora este processo junto ao chamado “ouro negro” tenda a ser de curta duração.

Pelo lado positivo, a lenta retomada das atividades econômicas na China começam a dar um certo alento ao mercado, embora a mesma ainda esteja longe do ideal. Por enquanto, os chineses estão dando mais atenção à soja sul-americana, particularmente à brasileira. Assim, melhores vendas de soja estadunidense para o país asiático são esperadas apenas para o segundo semestre.

Dito isso, os efeitos do coronavírus na economia chinesa foram intensos. O PIB chinês recuou 6,8% no primeiro trimestre do ano, em comparação ao mesmo trimestre de 2019, sendo o primeiro recuo registrado desde 1992, quando o país começou a divulgar dados trimestrais de sua economia. Já em relação ao trimestre imediatamente anterior (quarto trimestre de 2019) o tombo foi maior, atingindo a 9,8%. Neste contexto, a economia chinesa deverá crescer, em 2020, algo em torno de 1,5%, contra uma expectativa inicial ao redor de 5,5% a 6%.

No Brasil, o câmbio voltou a apresentar forte desvalorização do Real, com o mesmo chegando a bater em R$ 5,40 em alguns momentos da corrente semana. Com isso, os preços da soja voltaram a apresentar viés de alta. O balcão gaúcho fechou a semana na média de R$ 90,89/saco, enquanto os lotes subiram para níveis entre R$ 98,00 e R$ 98,50/saco. Nas demais praças nacionais os lotes oscilaram entre R$ 95,00 e R$ 96,00 no Paraná; R$ 86,00 em Querência (MT); R$ 81,50 em São Gabriel (MS); R$ 88,00 em Goiatuba (GO); R$ 100,00 em Campos Novos (SC); R$ 86,00 em Pedro Afonso (TO) e R$ 88,00/saco em Uruçuí (PI).

Por sua vez, os prêmios nos portos brasileiros giraram entre US$ 0,44 e US$ 0,73/bushel, sem grandes mudanças em relação a média das semanas anteriores. Neste contexto, o preço da soja no Brasil está dependendo do câmbio para se manter elevado. Tanto é verdade que, em nova atualização, temos que, aos valores de Chicago e do prêmio praticados neste momento de abril no Rio Grande do Sul, caso o câmbio estivesse dentro da paridade normal, ao redor de R$ 4,00 por dólar, o saco de soja no balcão gaúcho estaria valendo ao redor de R$ 68,00, ou seja, cerca de R$ 23,00 a menos em relação ao valor atual. Em um cenário de câmbio a R$ 4,60, como o mercado espera chegar ao final deste ano de 2020, passado os efeitos da pandemia, o saco de soja, no balcão gaúcho, hoje valeria R$ 78,00, ou seja, 10 reais a mais do que o cenário anterior, porém, ainda cerca de R$ 13,00 a menos do que o valor atual.

Dito isso, a colheita da soja no Brasil chegava a 92% da área no dia 17/04, contra 90% na média histórica para esta época. No Rio Grande do Sul a mesma atingia a 85% da área, contra 70% na média; na Bahia 53%, contra 60% na média; em Santa Catarina 88%, contra 80% na média. Nos demais grandes produtores nacionais a mesma estava praticamente encerrada.
FONTE: Agrolink - CEEMA/UNIJUI